"The Beatles will just go on and on...
the Beatles, I think, exist without us."
--George Harrison

Lado A
1. "Two of Us" (Lennon/McCartney) - 3:37
2. "Dig a Pony" (Lennon/McCartney) - 2:35
3. "Across The Universe" (Lennon/McCartney) - 3:48
4. "I Me Mine" (Harrison) - 2:26
5. "Dig It" (Lennon/McCartney/Harrison/Starkey) - 0:50
6. Let It Be - (Lennon/McCartney) - 4:03
7. "Maggie Mae" - (Lennon/McCartney/Harrison/Starkey) - 0:40
Lado B
8. "I've Got a Feeling" (Lennon/McCartney) - 3:38
9. "One After 909" (Lennon/McCartney) - 2:54
10. "The Long And Winding Road" (Lennon/McCartney) - 3:38
11. "For You Blue" (Harrison) - 2:32
12. "Get Back" (Lennon McCartney) - 3:09
Último álbum do quarteto fantástico, Let It Be é uma compilação de canções gravadas sem necessariamente haver um propósito de ligação entre elas, como os Beatles faziam em seus álbuns. Pelo contrário, ela evidencia a separação que agora estava concreta. O que já se pode ver na capa do álbum, onde aparecem 4 fotos separadas de cada um dos integrantes, individualmente.
Let It Be, que foi lançado posteriormente ao término da banda, é formado por faixas que foram gravadas após o White Álbum, ou que haviam sido deixadas de lado até então. Os Beatles, que iniciaram sua carreira com "silly love songs", tem em Let It Be o término de seu ciclo. Não coloque um olho dramático na situação. Por que todo término é ruim? O término faz parte, assim como o começo. É o ciclo. Este álbum é o fechamento deste ciclo, suas últimas faces, como os ultimos dias do ano. Repleto de clássicos, se torna algo muito audível numa viajem de carro por exemplo. Onde não exista a ansiedade social de estar tocando algo que todos conheçam e que propicie a interação e a comunicação. Let It Be é mais propenso ao silêncio, a introspecção, porém não de uma maneira ruim, que leve ao sofrimento, e sim com um sentimento de nostalgia, para ser compartilhado em comunhão com outros que também apreciem canções bonitas, e momentos bonitos. Nostalgia também o sentimento que passam as músicas, devido a maior parte delas terem sido gravadas quando tudo já estava terminado, porém eles ainda estavam juntos, unidos pelo passado em comum. Este álbum é para ser escutado num ambiente que não necessite necessariamente da comunicação verbal incessante. Onde o silêncio possa prevalecer entre as bocas sem se tornar inconveniente.
Ou para se escutar sozinho. Nada melhor que a nossa própria companhia.
Começando com a romântica e simpática Two Of Us, se torna marcante mesmo na faixa 6, quando Paul e seu piano entoam os lindos versos de Let It Be. Algo tão sublime, de tão insustentável leveza, que se traduzido para português se torna até ridiculo, não havendo tradução compatível com o seu sentido. Deixe ser, deixe estar, deixe acontecer, deixe fluir, calma, paciência, enfim, sentimentos reconfortantes. Let It Be é uma música para um coração que dói, de tristeza por algum motivo irredutível. É para demonstrar para aqueles que sofrem, que tenham calma, que tudo vai se resolver, e que tudo sempre acaba bem, é só deixar acontecer.
Um dos versos mais lindos de todos os tempos, esta nesta, que é para mim uma das músicas mais lindas de todos os tempos:
"And when the broken hearted people living in this world agree, there will be an anwer, let it be."
Outra música essencial para a vida é Across The Universe.
'Nothing is gonna change my world'
Que sonhador nunca entoou esses versos, nem que tenham sido com outras palavras? Uma das músicas mais lindas de toda a carreira musical deles, com certeza. Totalmente espiritual, ela foi gravada originalmente em 1968 [sua versão original se encontra no Past Masters Vol. 2, remasterização lançada em 2009], e traz Lennon em uma de suas melhores facetas como poeta. Incrível !
E para finalizar o álbum, a contagiante Get Back. Boatos dizem que Paul escreveu esta música como uma indireta para Yoko Ono. Ela, que na época desta gravação (final de 1969) frequentava assíduamente os ensaios e o ambiente dos Beatles, encarava Get Back como uma provocação de Paul, contra ela e John. "Get back, get back to where you once belong", é o que Paul grita nesta canção. Com um riff totalmente contagiante, este também é um rock'n'roll nu e cru, de qualidade, trazendo agora Paul em uma de suas melhores composições musicais.
Este álbum ainda trás outras incríveis canções, como I've Got a Feeling, que tem em seu interior esses lindos versos:
"Everybody got a hard year,
Everybody had a good time,
everybody had a wet dream,
everybody saw the sunshine."
Let It Be ainda é muito mais que isso! E quem nunca escutou baixe o álbum completo, e escute no momento apropriado. Vale a pena!
Deixo vocês com um incrível momento não só da minha vida, mas como de mais de 60 mil pessoas, que presenciaram o lindo momento de Paul cantando Let It Be para nós. No show, no dia 21 de novembro, em São Paulo, Let It Be veio logo depois do grande extase de A Day In Life, que no auge de sua orquestra passou diretamente para Give Peace a Chance. A platéia então, em transe, num estado de ecxstase agudo, gritou veementemente Give Peace a Chance por longos e intermináveis minutos, enquanto beixigas brancas que haviam sido dadas na entrada estavam sendo soltas no ar. A energia da platéia emocionou Paul, que diz, "Thank you, the whole world is seeing that." (Muito obrigado por isso, o mundo inteiro está nos vendo).
Depois desse ecxtase, com a platéia ainda cantando Give Peace a Chance (reparem no início do vídeo), Paul começa a tocar no piano os primeiros acordes de Let It Be. Uma coisa linda!
Dá para ver que era um momento épico para todos. Para o público, para o nosso querido Paul, e para a banda. Paul depois disse que este primeiro show em São Paulo foi um dos momentos mais incríveis da sua vida. Uma energia incrível mesmo, que me faz acreditar cada vez mais na Revolução do Amor. Da qual os Beatles são a trilha sonora.
Obrigada!
Sofia
:)





